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O luxo é só a superfície: o que o superiate ligado a Neymar revela sobre a indústria náutica brasileira

10 de jul.
7 min de leitura

Com 46,5 metros, oito suítes, heliponto e navegação irrestrita, o superiate associado a Neymar Jr. evidencia a capacidade brasileira de integrar engenharia, arquitetura, tecnologia e milhares de profissionais em um projeto de alta complexidade.



Quando uma embarcação como o Enejota, superiate associado a Neymar Jr., aparece nas redes sociais, os primeiros elementos a chamar atenção são inevitavelmente suas dimensões, o valor estimado, as acomodações e o heliponto.


Sob a ótica da Economia do Mar e da indústria náutica, entretanto, existe outra dimensão igualmente impressionante: a quantidade de pessoas, empresas, conhecimento e atividade econômica necessária para desenvolver um projeto dessa categoria.


Uma embarcação com aproximadamente 46,5 metros, elevado nível de personalização, sistemas complexos, áreas de habitabilidade e grandes intervenções pode mobilizar, ao longo de suas diferentes etapas, mais de 2 mil profissionais.


Isso não significa que todos estejam simultaneamente dentro do estaleiro. Esse contingente se distribui entre arquitetura, design, engenharia, planejamento, intervenções estruturais, instalações, interiores, acabamento, inspeções, testes e comissionamento.


São arquitetos, engenheiros, projetistas, designers, soldadores, mecânicos, eletricistas, marceneiros, pintores, técnicos de automação, profissionais de climatização e especialistas em diferentes sistemas. Ao redor deles, existe ainda uma ampla rede de fornecedores, transportadores e prestadores de serviços provenientes de diferentes regiões do país.


O verdadeiro tamanho de uma embarcação como o Enejota, portanto, não pode ser medido apenas em metros.


Ele também precisa ser medido em empregos, conhecimento, renda e cadeias produtivas movimentadas.


Um dos maiores projetos náuticos de lazer desenvolvidos no Brasil


O Enejota possui aproximadamente 46,5 metros de comprimento, cerca de 800 metros quadrados de área, oito suítes e cinco cabines destinadas à tripulação.


Entre os diferenciais está uma configuração considerada única, com duas suítes master.


A suíte principal do armador, identificada como NJR, possui pé-direito duplo, característica que possibilitou a instalação de um lustre assinado por um reconhecido arquiteto brasileiro sobre a cama da suíte master.


Outro destaque dos ambientes internos é um telão de LED com seis metros de largura por dois metros de altura, totalizando uma área de 12 metros quadrados.


A motorização reúne quatro motores Caterpillar C32 ACERT de 1.450 hp cada, acoplados a hidrojatos de alta performance, totalizando aproximadamente 5.800 hp.


A embarcação também possui capacidade para aproximadamente 80 mil litros de combustível, dois geradores de 120 kVA e quatro estabilizadores dinâmicos, desenvolvidos para ampliar o conforto durante a navegação e, principalmente, quando o superiate estiver fundeado.


O projeto foi desenvolvido no Brasil pela Inace SuperYachts, em Fortaleza, com design atribuído ao brasileiro Fernando Almeida.


Mais do que uma embarcação de grandes dimensões, o Enejota coloca em evidência a capacidade brasileira de desenvolver projetos de elevado valor agregado e alta complexidade técnica.


A Inace possui mais de 55 anos de experiência, mais de 600 embarcações entregues e mais de 45 explorer yachts construídos. Seus projetos envolvem a atuação conjunta de designers, arquitetos especializados, engenheiros, fornecedores de equipamentos e profissionais de diferentes áreas.


De FSV a superiate de navegação irrestrita


O Enejota não surgiu originalmente com a configuração de um superiate destinado ao lazer.


A embarcação era um FSV — Fast Supply Vessel, categoria desenvolvida para realizar com rapidez o transporte de pessoas, equipamentos e suprimentos entre a costa e as plataformas de petróleo.


Essa origem explica a presença dos quatro motores Caterpillar e dos hidrojatos de alta performance, necessários para que a embarcação cumprisse operações logísticas de maneira rápida e eficiente.


Posteriormente, o FSV foi convertido em um explorer yacht, categoria desenvolvida para oferecer robustez, autonomia e capacidade operacional em viagens mais longas.


Segundo as informações técnicas, realizar essa transformação foi mais difícil do que iniciar um projeto completamente novo.


A estrutura existente precisou ser reforçada, repensada e recalculada. Sistemas, espaços e equipamentos foram reorganizados para garantir uma vida útil prolongada e incorporar o DNA dos explorer yachts produzidos pelo estaleiro.


A embarcação possui navegação irrestrita, o que significa que sua robustez, autonomia e desempenho foram concebidos para permitir longas travessias oceânicas.

Não se tratou, portanto, apenas da substituição de móveis, revestimentos e equipamentos.


Converter uma embarcação de serviço em um superiate significa modificar sua finalidade e integrar arquitetura, engenharia, elétrica, hidráulica, climatização, automação, hotelaria, segurança e operação.


É exatamente essa complexidade que explica a mobilização de tantas especialidades ao longo de um projeto desse porte.


Arquitetos também fazem parte da indústria náutica



Quando se fala na construção ou transformação de uma embarcação, muitas pessoas imaginam inicialmente engenheiros, mecânicos, eletricistas e soldadores.


Mas um grande projeto náutico também depende diretamente de arquitetos e profissionais especializados em interiores.


Eles participam da distribuição dos ambientes, dos fluxos de circulação, da ergonomia, da iluminação, da escolha dos materiais e da integração entre as áreas sociais, os espaços destinados à tripulação e os compartimentos técnicos.


Em uma residência, um móvel pode simplesmente ser colocado em determinado ambiente. Em uma embarcação, ele precisa considerar peso, vibração, movimento, inclinação, umidade, salinidade e a necessidade de acesso às redes instaladas atrás de pisos, paredes e painéis.

Cada centímetro precisa ser planejado.


Os móveis devem permanecer fixos. Os revestimentos precisam resistir às condições de navegação. As divisórias devem permitir manutenção. Os materiais precisam oferecer segurança, durabilidade e desempenho adequado ao ambiente náutico.


Arquitetura, design e engenharia não funcionam de maneira isolada.


Uma decisão estética pode interferir no peso. Uma alteração na distribuição de um ambiente pode modificar a passagem de cabos, dutos e tubulações. Um novo equipamento pode exigir reforços, ventilação e acesso técnico específico.


Por isso, a indústria náutica é também uma indústria de conhecimento.


O livro O Motor Secreto do Brasil, de Mané Ferrari, descreve justamente esse ecossistema, no qual design, engenharia, matérias-primas, tecnologia e diferentes ofícios convergem para criar embarcações de alta complexidade.


O heliponto ajuda a dimensionar a complexidade



O heliponto é apenas um dos componentes do Enejota, mas ajuda a demonstrar a dimensão técnica alcançada pelo projeto.


Para que a embarcação pudesse receber essa estrutura, foi necessário ampliar sua área estrutural. Isso significa que a plataforma não foi simplesmente instalada sobre a configuração que já existia.


A nova área precisou ser integrada ao conjunto da embarcação e compatibilizada com a distribuição de pesos, cargas, acessos, circulação, drenagem, equipamentos e sistemas de segurança.


Intervenções dessa natureza também exigem atenção ao centro de gravidade, à estabilidade, ao comportamento durante a navegação e à relação da nova estrutura com os ambientes localizados abaixo e ao redor.


O heliponto é a parte visível.


Por trás dele existem cálculos, desenhos, materiais, decisões técnicas e o trabalho conjunto de engenheiros, arquitetos, projetistas, soldadores, instaladores e diferentes fornecedores.


Uma cadeia produtiva que atravessa o Brasil


Embora a execução principal de um projeto esteja concentrada no estaleiro, sua cadeia produtiva não termina nos portões da fábrica.


Motores, geradores, eletrônicos, cabos, painéis, revestimentos, vidros, mobiliário, tecidos, tintas, equipamentos de segurança e componentes especiais podem ser produzidos ou fornecidos por empresas localizadas em diferentes estados.


Técnicos também precisam viajar para realizar instalações, inspeções, ajustes e testes.

Um profissional especializado pode sair de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro ou de qualquer outro polo produtivo e permanecer dias ou semanas no Ceará acompanhando determinada etapa do projeto.


Nesse momento, a indústria náutica também movimenta outras cadeias de valor:


  • transporte aéreo e rodoviário;

  • empresas de logística e transporte de cargas;

  • hotéis, pousadas e restaurantes;

  • locadoras de veículos;

  • tecnologia e telecomunicações;

  • seguros e serviços financeiros;

  • indústria moveleira;

  • metalurgia;

  • eletrônica;

  • comércio de materiais e equipamentos.


A passagem aérea utilizada por um técnico faz parte dessa economia. A hospedagem da equipe também. O caminhão que transporta um equipamento integra a mesma movimentação.


O setor náutico não trabalha isoladamente.


Ele conecta indústria, comércio, serviços e turismo, irradiando atividade econômica para segmentos que nem sempre são imediatamente associados à produção de embarcações.


O barco é apenas o produto final. Por trás dele, existe uma extensa cadeia de trabalho, renda e empresas em movimento.


Mais de 2 mil profissionais envolvidos


Embarcações dessa dimensão são desenvolvidas em diferentes fases.

Inicialmente, entram os profissionais responsáveis pelos levantamentos, desenhos, estudos técnicos, arquitetura, design e planejamento.


Depois avançam as equipes de estruturas, soldagem, elétrica, hidráulica, climatização, automação, mecânica e integração dos equipamentos.


Paralelamente, fornecedores externos produzem mobiliário, painéis, vidros, revestimentos, componentes e soluções desenvolvidas especificamente para a embarcação.


Nas etapas finais, entram profissionais de pintura, acabamento, montagem, inspeção, regulagem, limpeza técnica, testes e comissionamento.


Considerando toda essa cadeia e as diferentes etapas de execução, um projeto dessa categoria pode envolver mais de 2 mil profissionais, reunindo competências desenvolvidas dentro e fora do estaleiro.


Depois da entrega começa uma nova economia


Quando o barco deixa o estaleiro, os empregos não desaparecem.

Começa uma nova fase de atividade econômica ligada à operação.


Durante sua vida útil, uma embarcação desse porte demanda permanentemente comandantes, marinheiros, profissionais de máquinas, cozinha, limpeza, hotelaria, eletrônica, mecânica, abastecimento, seguros, documentação e serviços de marina.


Cada parada também pode movimentar:


  • combustíveis e lubrificantes;

  • supermercados e fornecedores de alimentos;

  • oficinas e assistência técnica;

  • marinas e estruturas de atracação;

  • restaurantes e hotéis;

  • transporte terrestre;

  • empresas de limpeza e conservação;

  • prestadores de serviços turísticos.


O superiate deixa de ser apenas um produto da indústria.

Passa a funcionar como uma unidade econômica móvel, consumindo produtos e serviços em cada região por onde navega.



Muito além do luxo


É natural que o Enejota desperte curiosidade pelo valor, pelas dimensões e pelos ambientes de alto padrão.


O projeto, porém, coloca em evidência a capacidade da indústria náutica brasileira de desenvolver embarcações de alta complexidade e elevado valor agregado.


Os 46,5 metros, as oito suítes, o telão de LED e o heliponto são a parte que aparece.

Os profissionais, a engenharia, o conhecimento e a renda representam a parte que o Brasil ainda precisa aprender a enxergar.


Por trás de uma grande embarcação, existe uma indústria náutica inteira trabalhando.


Os números por trás do Enejota


Comprimento: aproximadamente 46,5 metros

Área: cerca de 800 m²

Acomodações: oito suítes, sendo duas suítes master

Tripulação: cinco cabines

Motorização: quatro motores Caterpillar C32 ACERT de 1.450 hp

Propulsão: hidrojatos de alta performance

Potência total: aproximadamente 5.800 hp

Combustível: aproximadamente 80 mil litros

Geradores: dois equipamentos de 120 kVA

Estabilização: quatro estabilizadores dinâmicos

Telão de LED: seis metros por dois metros, totalizando 12 m²

Classificação operacional: navegação irrestrita

Profissionais envolvidos: mais de 2 mil ao longo das diferentes etapas e da cadeia produtiva


Por: Redação Mundo Mar

Fotos: Mundo Mar e IA Mundo Mar


Nota da redação


As características do Enejota foram conferidas em publicações da imprensa especializada e em informações institucionais da Inace SuperYachts.

Como nem todos os detalhes comerciais e técnicos foram divulgados oficialmente, o Mundo Mar utiliza a expressão “embarcação associada a Neymar Jr.”.


Os números relacionados à geração de empregos são estimativas setoriais utilizadas para demonstrar o alcance econômico de um projeto dessa dimensão e não correspondem a uma auditoria específica da embarcação.


 
 
 

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